A vida em comunidade
“Juntos” todos saberão que somos de Cristo.
João 13.35
A vida em comunidade
testifica o amor do Pai, glorifica-O no respeito à identidade do indivíduo,
celebra a diversidade e desfruta das alegrias da unidade.
Desde os pais da
igreja a teologia cristã admite a doutrina da trindade ou tri-unidade Divina
entendendo que Deus ( Elohim = forma
plural de Deus, Gn 1.26, por inferência, Pai, filho e Espírito Santo ) é um Deus tri-uno vivendo em comunidade entre si e as hostes
espirituais; Que em amor coroou Sua criação fazendo o homem para
compartilhar deste relacionamento .
Adam ("adam"
nome coletivo, vem de solo, "adamah" Gn 3.19, 4.25) após receber a
tarefa de catalogar a criação alcançou a consciência de que em tão bela criação
não havia alguém que lhe fosse "semelhante"; A fim de que ele não
mais se sentisse só o Senhor, desta mesma "matriz", duplicou
o gênero humano extraindo de "Adam" aquela que lhe seria
semelhante (Genesis 2), fazendo de um,
dois e mantendo os dois como um só, vivendo em comunidade de tal forma que
ambos eram chamados de "Adam", embora não se confundissem, eram
extensão um do outro (Gênesis 5.2).
Esta vida em
comunidade reflete o homem em comunhão com seu criador, com sua companheira e
com a criação; É o ambiente da unidade como fruto do amor; É ambiente do
Reinado de Deus como fruto de Sua graça, pois o Senhor reina “de direito”, uma
vez a criação é Sua, e, reina “de fato”, pois esta criação lhe está sujeita.
Entretanto este
ambiente do reinado de Deus cessou
“de fato” usurpado pelo tentador (I João 5.19) quando Adam, esquecendo sua humanidade, cedeu
ao desejo de “ter” o que o Criador tinha para "ser" o que Ele era, arrogando para si uma autonomia
impossível, imprópria e que desintegra a vida em comunidade (Gênesis 3.5).
Entretanto, por ser gregário,
o homem continua vivendo em comunidade, porém não de amor e cooperação para o
bem comum, mas de concorrência predatória para o próprio bem; Perde-se a
referência de próximo, o homem torna-se egocêntrico; Agora cada um é rei e luta
pelo seu próprio reino.
O Deus Tri-uno, que
vive em comunidade, percorre o caminho inverso de seu Adam (homem) que quis ser Deus, deixa
Seu reino, em busca da ovelha perdida, torna-se homem e com um sonoro brado de
amor na cruz convida-o ao arrependimento e ao retorno à vida em comunidade:
·
com Ele, Seu redentor,
·
com o próximo ou semelhante, que o
homem já nem lembra mais quem é, e,
·
por fim, com a criação que, ao
invés de dominar, ele a preda diariamente, lutando não pela sobrevivência
própria, mas pela construção de seu próprio reino (Filipenses 2).
Aos que ouvem,
reconhecem Sua voz e atendem ao Seu convite o Criador os chama de meus
discípulos (João 15.7,8),
minha assembléia, Igreja de cristo, comunidade da fé, comunidade de Jesus (Mateus 16.18), pois são o Seu principal
veículo que “dá sinais” do Reino que fora usurpado, mas que agora chegou, e que
, mesmo não plenamente, se manifesta “de fato” apresentando-se de forma visível
à todos, onde só existia como “de direito” já que sempre foi o autor da criação.
Este Reinado agora se
expressa visivelmente através da vida em comunidade, da comunhão entre irmãos e
do serviço desta comunidade ao próximo, seja ele quem for; Um Reinado que se
manifesta na prática do amor com seu Senhor e com o próximo; Onde o
relacionamento com as pessoas refletem nossa verdadeira comunhão com o Deus
Tri-uno, pois quanto mais próximos dEle, melhor é nosso relacionamento com os
irmãos.
Por isso o apóstolo
João afirma:
“Se porém, andarmos na luz, como Ele está na luz, temos comunhão uns com
os outros, e o sangue de Jesus, seu filho, nos purifica de todo o pecado”. 1ª
João 1.7.
E, ainda:
Se alguém afirmar: "Eu amo a Deus", mas odiar seu irmão, é
mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem
não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu
irmão.” 1ª João 4.20-21.
É mais que fazer o
bem, pois cada religião se propõe a isto, e, mesmo bem intencionadas, mais
prestam um desserviço do que ajudam à comunhão com Deus e com o próximo, não
apenas distanciando o homem do criador, como gerando-lhe um conceito deformado do
Senhor e tornando-O objeto da comercialização de fé e poder.
Em Sua comunidade,
Sua igreja não se trata apenas de fazer o bem, mas de manifestar “Seu reinado”
em nós e sobre nós; Trata-se da ética da vida que na leitura de Paulo
(apóstolo) “...não esta centrada no conhecimento do que é bom, mas no
conhecimento de quem é Senhor, pois o senhorio de Cristo declara ilegítimas todas
as demais reivindicações ao senhorio” (Duff 1989:283s.)
Portanto maior que o
bem que fazemos é a quem nos sujeitamos ao fazê-lo.
Vida em comunidade é
sujeitar-se ao Deus Tri-uno, é viver em comunidade com Ele e com os irmãos, com
nossos pares semelhantes ou diferentes, com os que temos afinidades ou não,
expressando o seu amor na comunidade e e além dela.
“...Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se
amarem uns aos outros”. João 13.35
Juntos,
sempre n’Ele que nos une.
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O que fazer para mudar a realidade presente?
ResponderExcluirSe já entendemos a diferença entre á glória de Cristo e á glória Romana, por que continuamos ainda tímidos no viver diário?
Toda mudança exige:
Protesto contra a masificação das idéias.
Coragem para ser condenado no mínimo, herege.
Disposição para perder "à glória"
É isto! Vamos abandonar a glória dos homens, protestar sendo discípulos e transformar fazendo discípulos de Jesus.
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