sexta-feira, 4 de novembro de 2011



Entre as glórias Gregas, Romanas, religiosas e a de Cristo. 

Carta escrita por volta de 200 d.c - a Diogneto 5s.:
Os cristãos,de fato, não se distinguem dos outros homens, nem por sua terra, nem por sua língua ou costumes. Com efeito, não moram em cidades próprias, nem falam línguas estranhas, nem tem algum modo especial de viver.(...) vivendo em cidades gregas e bárbaras(...) e adaptando-se aos costumes do lugar quanto a roupa, o alimento e o resto, testemunham um modo de vida social admirável e, sem dúvida, paradoxal. Vivem na pátria, mas como forasteiros; (...) Toda pátria estrangeira é pátria deles, e cada pátria é estrangeira (...) estão na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas tem sua cidadania no céu; obedecem ás leis estabelecidas, mas com sua vida ultrapassam as leis; (...) Pelos judeus são combatidos como estrangeiros, pelos gregos são perseguidos, e aqueles que os odeiam não saberiam dizer o motivo do ódio. Em poucas palavras, assim como a alma está no corpo, assim os cristãos estão no mundo.(...) os cristãos estão no mundo como uma prisão, mas são eles que sustentam o mundo. 
Texto extraído do livro Missão Transformadora,David J. Bosch,2007,pg 262.


Pode soar romântico mas certamente é uma marca indelével que nossos irmãos deixaram no segundo século.

Longe desta fala ser unanime neste contexto pós-moderno que vivemos, certamente é inspiração unânime àqueles que tem em Cristo a suficiência para viver com esperança neste caos produzido pelos homens e que, ainda que tenha aparente contradição de propósito, tem recebido grande contribuição através do modelo para evangelização adotado por uma expressiva parte das instituições evangélicas brasileira.
A reprodução deste modelo se dá maciçamente através das mídias de massa, que mesmo sendo tão onerosas ao bolso dos fiéis, tem contribuição garantida através das promessas de retribuição financeiras que virão, por vias sobrenaturais, aos que, com boa fé, obedecem à voz dos especialmente "escolhidos" e auto-intitulados representantes diretos de Deus.
Contra tal poder sócio-econômico e cultural-religioso só mesmo a simplicidade do Reino de Deus que se expressa através de cada discípulo, que reconhecendo seu lugar no corpo de Cristo, coopera, submissos à Ele, na construção da sociedade de Jesus, Sua Ekklesia, onde o próximo não é objeto de exploração, mas sim oportunidade de serviço à Deus e onde o Reino não é de homens que querem ser deuses, mas do Deus que se fez homem, para nos ensinar a ser gente.
Esta comunidade de Cristo não seria nada mais do que uma unidade renovada e reunida, da qual ele, como segundo Adão, seria o cabeça. (John Stott, A cruz de Cristo, pg. 231)
Sobre sustentabilidade ouvi Mário Cortela Dizer "que o mundo que vamos deixar para nossos filhos, depende muito dos filhos que vamos deixar para o nosso mundo"

Penso que esta frase nos inspira "à responsabilidade", como eficaz resposta aos nossos compatriotas, pelos devaneios, típicos dos transtornos de personalidade narcisista dos, auto-intitulados, líderes da igreja brasileira (lê-se "instituição") que se confundem com a Igreja, corpo místico de Cristo (ekklesia; assembléia, congregação dos discípulos de Jesus, comunidade de Jesus).
Muito embora a subsistência, deste corpo vivo de Jesus, nunca dependeu de nós, nem mesmo dependerá de nossos filhos, uma vez que tem a Cristo por cabeça, sustentador e sobretudo Senhor, se expressa através da prática do amor à Ele e ao próximo.
Esta Ekklesia não pode ser identificada, se não, pelas obras que expressam o Reino de Seu Deus socorrendo aos que estão à margem do caminho vitimados pela violência, fruto da injustiça, e, abandonados à própria sorte pelo ritualístico desprezo da religião fajuta.
Esta igreja não pode ser identificada através de índices de crescimento numérico, mas sim como expressão de Deus através da fraternidade, solidariedade e justiça.
Não pode ser identificada com os que aspiram reinar através da política partidária antes, como comunidade de cidadãos do Reino de Deus, expressam aquele Reino praticando cidadania em seu país.
Não é uma igreja que sucumbe aos descaminhos dos que, seduzidos pelo poder, se prostituem com o Estado vendendo-os como cédulas eleitoreiras antes, mesmo abandonados por estes, mantém seu amor "simplório" mas fiel à seu Senhor compartilhando-O na vida, enquanto caminham como peregrinos em terra estranha.
Não pode ser identificada como grupo moralista ávido a atirar a 1ª pedra, mas sim como aqueles que, assumindo as responsabilidades de sua natureza em transformação, se identificam no próximo e veem neles mais uma oportunidade da manifestação da graça do  Deus que um dia se revelou à eles.
Esta igreja não se isola num ambiente chamado "sagrado", mas se mistura a "sociedade profana" exalando o cheiro suave e libertador de Cristo Jesus.
A esperança desejada pelo homem e que não tem encontrado na ciência, política ou religião está nesta igreja que não é de homens, mas constituída de homens que já  abandonaram a glória de serem deuses.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011


A vida em comunidade

“Juntos” todos saberão que somos de Cristo.
João 13.35

A vida em comunidade testifica o amor do Pai, glorifica-O no respeito à identidade do indivíduo, celebra a diversidade e desfruta das alegrias da unidade.
Desde os pais da igreja a teologia cristã admite a doutrina da trindade ou tri-unidade Divina entendendo que Deus ( Elohim = forma plural de Deus, Gn 1.26, por inferência, Pai, filho e Espírito Santo ) é um Deus tri-uno vivendo em comunidade entre si e as hostes espirituais; Que em amor coroou Sua criação fazendo o homem  para compartilhar deste relacionamento .
Adam ("adam" nome coletivo, vem de solo, "adamah" Gn 3.19, 4.25após receber a tarefa de catalogar a criação alcançou a consciência de que em tão bela criação não havia alguém que lhe fosse "semelhante"; A fim de que ele não mais se sentisse só o Senhor, desta mesma "matriz", duplicou o gênero humano extraindo de "Adam" aquela que lhe seria semelhante (Genesis 2), fazendo de um, dois e mantendo os dois como um só, vivendo em comunidade de tal forma que ambos eram chamados de "Adam", embora não se confundissem, eram extensão um do outro (Gênesis 5.2).
Esta vida em comunidade reflete o homem em comunhão com seu criador, com sua companheira e com a criação; É o ambiente da unidade como fruto do amor; É ambiente do Reinado de Deus como fruto de Sua graça, pois o Senhor reina “de direito”, uma vez a criação é Sua, e, reina “de fato”, pois esta criação lhe está sujeita.
Entretanto este ambiente do reinado de Deus  cessou “de fato” usurpado pelo tentador (I João 5.19) quando Adam, esquecendo sua humanidade, cedeu ao desejo de “ter” o que o Criador tinha para "ser"  o que Ele era, arrogando para si uma autonomia impossível, imprópria e que desintegra a vida em comunidade (Gênesis 3.5).
Entretanto, por ser gregário, o homem continua vivendo em comunidade, porém não de amor e cooperação para o bem comum, mas de concorrência predatória para o próprio bem; Perde-se a referência de próximo, o homem torna-se egocêntrico; Agora cada um é rei e luta pelo seu próprio reino.
O Deus Tri-uno, que vive em comunidade, percorre o caminho inverso de seu Adam (homem) que quis ser Deus, deixa Seu reino, em busca da ovelha perdida, torna-se homem e com um sonoro brado de amor na cruz convida-o ao arrependimento e ao retorno à vida em comunidade:
·         com Ele, Seu redentor,
·         com o próximo ou semelhante, que o homem já nem lembra mais quem é, e,
·         por fim, com a criação que, ao invés de dominar, ele a preda diariamente, lutando não pela sobrevivência própria, mas pela construção de seu próprio reino (Filipenses 2).
Aos que ouvem, reconhecem Sua voz e atendem ao Seu convite o Criador os chama de meus discípulos (João 15.7,8), minha assembléia, Igreja de cristo, comunidade da fé, comunidade de Jesus (Mateus 16.18), pois são o Seu principal veículo que “dá sinais” do Reino que fora usurpado, mas que agora chegou, e que , mesmo não plenamente, se manifesta “de fato” apresentando-se de forma visível à todos, onde só existia como “de direito” já que sempre foi o autor da criação.
Este Reinado agora se expressa visivelmente através da vida em comunidade, da comunhão entre irmãos e do serviço desta comunidade ao próximo, seja ele quem for; Um Reinado que se manifesta na prática do amor com seu Senhor e com o próximo; Onde o relacionamento com as pessoas refletem nossa verdadeira comunhão com o Deus Tri-uno, pois quanto mais próximos dEle, melhor é nosso relacionamento com os irmãos.
Por isso o apóstolo João afirma: 
“Se porém, andarmos na luz, como Ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu filho, nos purifica de todo o pecado”. 1ª João 1.7.
E, ainda:
Se alguém afirmar: "Eu amo a Deus", mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão.”   1ª João 4.20-21.

É mais que fazer o bem, pois cada religião se propõe a isto, e, mesmo bem intencionadas, mais prestam um desserviço do que ajudam à comunhão com Deus e com o próximo, não apenas distanciando o homem do criador, como gerando-lhe um conceito deformado do Senhor e tornando-O objeto da comercialização de fé e poder.
Em Sua comunidade, Sua igreja não se trata apenas de fazer o bem, mas de manifestar “Seu reinado” em nós e sobre nós; Trata-se da ética da vida que na leitura de Paulo (apóstolo) “...não esta centrada no conhecimento do que é bom, mas no conhecimento de quem é Senhor, pois o senhorio de Cristo declara ilegítimas todas as demais reivindicações ao senhorio” (Duff 1989:283s.)
Portanto maior que o bem que fazemos é a quem nos sujeitamos ao fazê-lo.
Vida em comunidade é sujeitar-se ao Deus Tri-uno, é viver em comunidade com Ele e com os irmãos, com nossos pares semelhantes ou diferentes, com os que temos afinidades ou não, expressando o seu amor na comunidade e e além dela.
“...Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros”. João 13.35

Juntos, sempre n’Ele que nos une.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011


Novo tempo - Novo templo


No judaísmo o templo era um centro socio-religioso-cultural do povo; O lugar onde Deus se manifestava, onde Deus "morava" e portanto lugar de encontro com Ele. De todos os lugares peregrinos afluiam ao templo cantando e celebrando os feitos do Senhor pelo seu povo. É neste contexto que se expressa este salmo. Os rituais e peregrinações nele são temporais, eram sombras imperfeitas do era perfeito, Jesus Cristo (Cl 2.17), pois nele tudo se faz novo; Em sua conversa com a Samaritana (João 4) Jesus declara que chegou o novo tempo, onde o Pai deixa de morar no templo e passa a morar em pessoas; Com isto, deixa a "limitação" de um espaço sagrado e invade o profano através de sua comunidade de fé, que manifesta os sinais de seu Reino de justiça, paz e alegria no Espírito.

Nesta nova vida, neste novo tempo leio assim o Salmo 84:
  • vs 1 e 4 - Felicidade era estar no templo, onde Deus "estava", lugar desejável - Mas agora felicidade é ser templo, onde o Pai busca estar e nele a adoração não é estética, nem cronometrada, mas é na vida diária, produzindo frutos que nos felicitam.
  • vs 2 e 3 - Mesmo "insignificantes" pássaros podiam estar no templo, onde o salmista saudosamente está privado dele, impossibilitado dele - Mas agora cuidamos para que saudosismos insignificantes não nos prive da comunhão com o Pai, para quem temos maior significado que os pássaros, pois Ele cuida de nós.
  • vs 4 a 7 - A felicidade é dos peregrinos que só lá, no templo, depois de tudo pronto, cada um se encontra com Deus - Mas agora nos encontramos nEle, nosso caminho, onde não nos vemos prontos(finalizados) sem o outro, mas sempre crescendo, descobrimos que felicidade é vê-lO andar, através de nosso serviço, entre os homens e peregrinos, entre os que ele chamou de próximo.
  • vs 8 a 10 - A oração confiante fará real o anelo pelo melhor de qualquer dos dias, que era estar no templo - Mas agora Ele já nos trouxe o melhor de cada dia, pois a oração já foi respondida na cruz.
  • vs 11 e 12 - A exaltação é pela viva esperança da resposta - Mas agora, a exaltação à Ele é compartilhada na vida,em todo o tempo, pois a esperança já ressuscitou e não morre jamais.
Felicidade é a segurança de estar nEle e Ele em nós.